sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

A Chuva e o Trovão

Ela era a Chuva e adorava se fazer presente...
E aguardava ansiosa pelo Trovão que se mostrava sempre Confuso e estridente...
Faziam um belo espetáculo quando juntos, mas separados, um ou outro se sobressaia...
Então o espetáculo já não tinha mais tanta beleza, pois ali agora se faziam presentes faces dos egos de dois espetáculos da Natureza...
O Trovão na ânsia de presente se mostrar, intensificava sua presença sem tomar dimensão que trazia assim, a todos a sua volta, dor e destruição...
Enquanto a Chuva dando vazão a sua emoção, ela muito magoada com a surdez do Trovão em meio a enxurrada que caia, com mais intensidade sua beleza saia, gerava então tristeza terrível mesmo que inconsciente aqueles que outrora a achavam linda e sorridente...
Nessa dança da Magia, assim o espetáculo acontecia, por vezes intenso e radiante e por vezes destruidor e preocupante...
E assim pela eternidade sua união seguia, até que o Trovão para a Chuva mentiria, e dele a Chuva não quis mais saber para que seu sorriso pudesse aparecer, não queria condicionar a alegria dos seres que com ela eram felizes ao temperamento de destruição do confuso e cego Trovão.
A Chuva então se deu conta, que parceria ali nunca existiu, foi apenas convencida a ser coadjuvante de um Trovão a quem só interessava se destacar para ouvidos cansados mas que ainda assim apavorados o apreciavam por medo.
A Chuva ouvindo um ultimo estrondo com medo sofreu, e para o Trovão ela para sempre se recolheu.
O amor ali existia, pois a Chuva amava o escutar enquanto ela caia, mesmo que as vezes ele parecesse confuso e sem interesse, ela fazia de tudo para que a parceria acontecesse, diferente dele, que queria apenas o espetáculo de uma plateia muda e o bajular de uma ou outra criatura burra.
E Eles, apenas juntos eram tudo, e faziam um dos mais lindos espetáculos do mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário